Divulgámos no post anterior fotografias amadoras que referenciámos por serem valiosas sob o ponto de vista documental. Começamos hoje a divulgação de um lote de fotografias, igualmente amador e muito valioso, mas agora e sobretudo sob o ponto de vista da arte fotográfica. São imagens delicadas e de um elevado gosto artístico daquele que já considerámos aqui e aqui e aqui como sendo o primeiro grande fotógrafo figueirense (1) – Francisco Ferreira de Loureiro.
Quanto ao seu trabalho o principal problema tem sido o da determinação daquilo que fotografou localmente. Já divulgámos parte dos seus trabalhos figueirenses iniciais, que assinou como “S. Ferreira”, e alguns outros, dos posteriores, na maioria sem qualquer identificação, mas atribuíveis por comparação (um dos métodos válidos de trabalho no domínio da História da Arte) e por características técnicas e materiais.
Em nossa ajuda vem, no entanto, um lote precioso de 20 fotografias que está identificado no AFMFF, no Legado de José dos Santos Alves (JSA) - Casa Havanesa desta maneira (2): “Francisco Loureiro – Clichés Francisco Loureiro – Figueira Antiga”. Classificado desta maneira pelo amador e coleccionador fotográfico idóneo que sabemos que JSA foi (3), como não aceitar essa atribuição e passarmos a incluí-las no conjunto que forma o espólio já arrolado deste fotógrafo amador e artista figueirense (4)?
Iniciamos hoje a divulgação dessas fotografias, começando por estas três, marcadas, como julgamos que se sente, por um gosto paisagista de saboroso e cuidadoso recorte, ligado naturalmente às aptidões que demonstrou nas áreas do Desenho e da Pintura.
Será difícil arriscar uma datação, mas olhando a algumas das outras fotografias presentes no conjunto, estaremos provavelmente nos começos da década de 90 do século XIX, época em que a consideração do valor da Fotografia como arte se afirmava internacional e nacionalmente.
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Este é um blogue de trabalho, que há quase 2 anos fizemos companheiro das muitas horas que com entusiasmo e muito gosto pessoal vamos dedicando à temática da evolução urbana e concomitantemente à fotografia e iconografia figueirenses, depois de vários anos centrados na pesquisa e compreensão de fontes, bibliografias e seus relacionamentos. Temos consciência do pioneirismo de muito do que vamos fazendo, e “postar” aqui significa assumir o risco de sabermos que aquilo que sabemos num momento pode (e deve!) ser ultrapassado pela chegada de outras fontes e informações que o venham superar. Esse é o grande desejo de quem investiga, diga-se.
A este propósito a opção pela publicação num Blogue tem algumas vantagens: desde logo a de a todo o momento os textos produzidos – num verdadeiro “trabalho em progresso” - poderem ser melhorados, acrescentados ou vivificados, após a chegada a novas conclusões. Ora estamos perante uma situação dessas: depois da publicação deste post, uma mão amiga e sabedora do AFMFF, com conhecimento directo do espólio do fotógrafo Carlos Relvas (existente na sua Casa-Estúdio), fez-nos saber que a 3ª imagem divulgada - a do Forte de S. Catarina, inicialmente publicada acima e que agora deslocamos para depois desta errata - tem o negativo correspondente na Casa-Estúdio da Golegã, não podendo assim ser atribuída a Francisco Loureiro.
Na nota que deixámos no post demos conta das nossas dúvidas iniciais, não só em relação a esta imagem, como a outras das figueirenses (que existem misturadas com outras referentes a diversas zonas do país), mas que com a assunção da provável autoria e dando como boa a indicação do possuidor das imagens – José dos Santos Alves – decidimos ultrapassar. Sabemos agora que demos um salto “mortal” que nos obrigará, como se percebe e face às várias dúvidas que se voltam a levantar (incluindo agora as 2 imagens que publicámos para além desta), a suspender à nascença a série das imagens figueirenses, supostamente de F. Loureiro, que queríamos divulgar. Fica o gosto de sabermos que superámos um pouco mais a nossa ignorância, e que se abriram portas para novos conhecimentos.
FM
Notas:
1) É um facto que nasceu em Coimbra, mas sabemos que veio pouco depois viver com os pais para a Figueira, onde foi baptizado.
2) Caixa 32 da Colecção da Casa Havanesa.
3) Para além de sabermos que depois da sua entrada em 1898 como empregado da Casa Havanesa, ainda muito jovem, terá contactado pessoalmente com o fotógrafo, até ao falecimento deste em 1904.
4) Tivemos dúvidas iniciais, devemos dizê-lo, mas que já foram ultrapassadas.



Muito bem!
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