início da década de 70 do séc. XIX (Colecção Museu Municipal)
Na sequência da anterior publicação sobre Francisco Ferreira de Loureiro, é importante abordarmos uma pequena colecção de fotografias com interessantes vistas da Figueira da Foz, pertencente ao Museu Municipal Dr. Santos Rocha e identificadas com um carimbo seco - S. Ferreira ou Ferreira & Borges.
Serão também fotografias do início da década de 70 do séc. XIX que pelas suas características, coladas em cartão com os cantos da fotografia cortados obliquamente, nos levou a associá-las à fotografia Trabalhos de construção civil, pertencente à colecção de António Barreto, e consequentemente a outras fotografias, do espólio do AFMFF, também sobre as obras do Cais Novo da Figueira.
Mas se as referidas associações poderiam parecer frágeis, também a identificação S. Ferreira ou Ferreira & Borges continuava a ser um mistério por decifrar.
início da década de 70 do séc. XIX (Colecção Museu Municipal)
Sabíamos que Francisco Ferreira de Loureiro se tinha dedicado à fotografia, pois conhecíamos a sua fotografia do Teatro do Príncipe já identificada, mas ainda não a associávamos às restantes fotografias S. Ferreira e às fotografias das obras no Cais. Conhecíamos também o envolvimento de Francisco Loureiro na condução das obras do Cais Novo.
Francisco Ferreira de Loureiro, filho de Felisberto de Sousa Ferreira e de D. Ana Augusta de Sequeira, teve nome de baptismo de Francisco de Sousa Ferreira e terá sido esse o seu nome até 1877 quando no “Diário do Governo” de 21 de Agosto de 1877, ao fundo da página 7 se fez publicar a seguinte notícia (1):
“Francisco Carlos de Sousa Ferreira, conductor de obras publicas faz publico que, desde 1 do próximo setembro em diante, passa a assignar-se Francisco Carlos Ferreira de Loureiro.
Figueira da Foz, 18 de agosto de 1877. – Francisco Carlos de Sousa Ferreira. –(Segue o reconhecimento)”.
Francisco Loureiro teve entre os seus antepassados um bisavô, Manuel de Sousa Loureiro (1731-89), médico honorário da Real Câmara, o avô paterno, e um tio-avô, Francisco José de Sousa Loureiro (1772-1812), médico e escritor, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real e Físico-mor do Reino (2). Será certamente deste ramo familiar que veio o Loureiro agora acrescentado ao seu nome.
Todas as fotografias que temos referido na anterior e presente publicação, foram registadas nos primeiros anos da década de 70 do séc. XIX, antes da alteração do nome para Francisco Ferreira de Loureiro em 1877, pelo que seria assim natural estarem assinadas por Sousa Ferreira.
Finalmente, o recém descoberto lote de fotografias que abordámos na publicação anterior veio reforçar o que aqui fica referido, porque no seu conjunto, engloba fotografias das obras do Cais Novo que já conhecíamos do AFMFF, fotografias da série S. Ferreira e Ferreira & Borges do Museu Municipal e por fim associa-lhes a fotografia do Teatro Príncipe D. Carlos já identificada como sendo de Francisco Ferreira de Loureiro. Numa futura e terceira publicação sobre Francisco Ferreira de Loureiro, iremos publicar algumas fotografias que julgamos serem inéditas.
Falta-nos ainda referir que duas fotografias do referido lote recentemente adquirido, têm visível o carimbo seco ou parte do mesmo carimbo S. Ferreira (3). Uma, é precisamente a fotografia do Teatro Príncipe D. Carlos, apresentada na publicação anterior.
(1) - Diário do Governo nº 187 de 21-08-1877
(2) – I. B. Mota Oliveira, Adolpho Ferreira de Loureiro 1836 – 1911, Nota Biográfica, AIPCN, Lisboa 2003
(3) – Pormenor de fotografia (ainda por publicar) de Francisco Ferreira de Loureiro com o carimbo seco S. Ferreira.






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