Parece-nos justo que este Blog, centrado no estudo e divulgação do património fotográfico figueirense dos séculos XIX-XX, se preocupe em registar, com todo o pesar, o recente falecimento do importante fotógrafo da nossa cidade Jorge Dias, que durante o longo período de quase 55 anos marcou de forma especial, com a actividade dos seus dois Estúdios, o quotidiano e a história figueirense. Marcou igualmente o desenvolvimento deste nosso trabalho ao disponibilizar-se, com entusiasmo, a fornecer-nos informações sobre alguns dos fotógrafos figueirenses que conheceu (e que a seu tempo divulgaremos) e a colaborar com a cedência de uma imagem da sua colecção para uma nossa publicação (aqui).
À sua história pessoal e à actividade dos seus três Estúdios já nos referimos aqui e aqui e somos da opinião de que muito para lá dos seus trabalhos de estúdio e de reportagem (festas, casino, regatas, ralis, festivais, colectividades, etc.) - mesmo destacando nestes últimos os que produziu, num registo ímpar, na madrugada do golpe militar do 25 de Abril de 1974, no R.A.P. 3 da Figueira, e depois durante as manifestações populares dos dias seguintes - vão ficar ligadas à história da iconografia figueirense sobretudo as suas fotografias aéreas, particularmente as que criou nos voos dos anos 70 e 80 e inícios do século XXI, algumas das quais editadas depois em colecções de BPI, ou em livros que ele produziu e colocou à venda (1).
Não conhecemos a dimensão deste seu espólio, mas será de grande dimensão e relevância, pelo que nos parece que deveria merecer da parte das entidades locais toda a atenção, visando a sua salvaguarda.
E o mesmo se dirá acerca do espólio ligado à sua outra relevante faceta, também ainda desconhecida quanto à sua verdadeira dimensão: a de coleccionador, não apenas de máquinas e materiais fotográficos, mas sobretudo de clichés inéditos (em negativos e positivos) da fotografia antiga figueirense, com particular destaque, ao que podemos julgar, para as imagens oitocentistas do fotógrafo Carlos Relvas, muito presente, segundo pensamos, no conteúdo dos 3 volumes que Jorge Dias publicou há alguns anos atrás e que destacamos, por fim, com uma vénia de admiração.
FM
Notas:
1) Apenas um senão para a questão do tratamento nessas publicações de algumas imagens antigas da sua colecção (cortes não assinalados), associado a datações muitas vezes não correctas das mesmas.










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