É uma cidade afortunada a Figueira, no que respeita ao modo como foi sendo fotografada a partir do céu!
Foi desde que houve hipótese de o fazer – excluindo a fase oitocentista do uso dos balões, na esteira do pioneirismo de Nadar, em 1858 –, e sobretudo já no decurso da 2ª década do século XX, com a participação dos aviões militares, que a fotografia aérea ganhou foros de novidade absoluta, que logo conquistou numerosos adeptos. Na Figueira esse entusiasmo foi crescendo até se chegar à inauguração do Aeródromo (o “Campo de Aviação”) camarário da Morraceira, em Setembro de 1932 (mas já activo desde Junho).
E a Figueira teve a sorte de ir podendo ganhar e guardar imagens dessas, para nosso gáudio, destacando-se nessa caminhada o papel pioneiro nos anos 20 e 30 dos fotógrafos José dos Santos Alves (Casa Havanesa) e Afonso Cruz; nos anos 40 e 50, sobretudo as do Estúdio Cruz (Afonso Cruz) e Manuel dos Santos; e desde os anos 70 até hoje, as incontornáveis imagens do fotógrafo Jorge Dias, que nelas se foi especializando(1).
E abrimos a série que queremos divulgar com um 1º exemplo, que consideramos ser um dos mais icónicos do trabalho deste fotógrafo. À vista saltam para lá da nova ponte (de Março de 1982), num plano ainda destacado, os pegões da Ponte Velha, desmantelada, na sua componente metálica, no ano de 1985 (os pegões só em 1987). Como se vê, o enquadramento da fotografia é muito feliz e rico de informações. E pesamos, por isso, para a comparação com o presente, os cerca de 40 anos que ela já leva a afastar-se de nós...
FM

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