Augusto S. Fonseca na Figueira da Foz

Carlos Relvas, retrato de Augusto S. Fonseca, 1869-1877 

(colecção Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça)


    A fotografia do retrato de Augusto dos Santos Fonseca Xavier (1839-1930) mais conhecido por Augusto S. Fonseca, é de autoria do distinto fotógrafo amador Carlos Relvas sobre quem já aqui nos referimos.

    Augusto S. Fonseca, também fotógrafo, teve inicialmente atelier com o seu nome em Lisboa, mas acabou por se mudar para a Golegã quando iniciou uma duradoura colaboração com Carlos Relvas, aí se fixou e permaneceu até à ao fim da sua vida.

    Da sua produção fotográfica destacamos a publicação c.1867 de um álbum de fotografias sobre Lisboa, com vistas e monumentos da cidade (1). No ano de 1889 participou na Exposição Universal de Paris em nome próprio, onde foi galardoado com a medalha de prata.

 

Carlos Relvas, Augusto S. Fonseca assistindo Carlos Relvas na realização de um retrato de família em estúdio 

1868-1875 (colecção Casa-Estúdio Carlos Relvas, Golegã)

    Augusto S. Fonseca foi desde 1868 o técnico e assistente de Carlos Relvas até à morte deste último, acompanhando-o frequentemente nas suas viagens fotográficas ou de lazer. Podemos mesmo interrogarmo-nos se algum do trabalho saído do atelier de Carlos Relvas não te tido o olho de Augusto S. Fonseca. Por exemplo, encontramo-lo em Coimbra em Novembro de 1872 "tirando clichés" e em Maio de 1883, fotografando monumentos da cidade, enquanto Carlos Relvas se encontrava em Condeixa “bastante incomodado”(2). 

 

    Na época balnear de 1890 e 1891 montou o seu atelier pessoal na Figueira da Foz no mesmo período em que Carlos Relvas também se encontrava na cidade. Na sequência da sua comprovada presença nos referidos anos, parece-nos também provável que por cá tenha estado no verão de 1893, quando também cá esteve Carlos Relvas. Desta sua actividade figueirense conhecemos apenas o CVD que publicamos.

 

Augusto S. Fonseca, CDV na Figueira da Foz 1890-1893 (colecção particular)

    Em finais de Agosto de 1890, Augusto Fonseca instalou atelier na Figueira da Foz e aí terá desenvolvido trabalho comercial em seu nome por mais de um mês. Dizia o Correio da Figueira a 30 de Agosto de 1890:

    Acha-se já nesta cidade, onde se demorará grande parte da epocha de banhos, o sr. Augusto Fonseca, distincto photographo da Gollegã, muito conhecido e apreciado pelos magnificos e admiraveis trabalhos que tem feito em todos os ramos da sua arte. O seu atelier, que se acha estabelecido na rua da Concordia, perto do teatro-circo Saraiva de Carvalho, abre ao publico no dia 1 do próximo mêz.” 


    Um dia depois, a 31 de Agosto de 1890 é o Correspondência da Figueira que refere:

    Photographo AmadorAcha-se entre nós e pretende demorar-se até ao fim de Setembro, o sr. Augusto Fonseca, distinto photographo amador da Golegã. 

    Os trabalhos photographicos deste conhecido amador recomendam-se pela sua perfeição e nitidez, por isso convidamos o publico a visitar o seu atelier estabelecido na rua Boa União proximo do Theatro-Circo.”


    Augusto S. Fonseca repetiu a experiência figueirense no ano seguinte, com atelier na Rua da Boa União, segundo refere o Correspondência da Figueira  de 10 de Setembro de 1891:

    Photographo - Já está nesta cidade o sr. Augusto Fonseca photographo de grande mérito. Tem o seu elegante atelier na Rua da Boa União.

 

    Carlos Relvas faleceu em Janeiro de 1894 na sequência de um acidente a cavalo, Augusto S. Fonseca vai continuar a sua actividade fotográfica na Golegã mas não há notícia de que tenha voltado a sentir o apelo do mar e a instalar o seu atelier fotográfico na Figueira da Foz.

RF


Carlos Relvas, Praia da Figueira da Foz 1880-1890 (colecção Casa-Estúdio Carlos Relvas, Golegã)


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Notas:
(1) Augusto S. Fonseca, Igreja de Sto. António da Sé, Lisboa, c.1868 (colecção particular)
(2) O Tribuno Popular de 30 de Novembro de 1872
O Tribuno Popular de 19 de Maio de 1883






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