Costa & C.ª
A invenção oficial do Bilhete-Postal remonta a 1 de Outubro de 1869, na Áustria-Hungria. Em 1878 a ideia foi adoptada por Portugal na sequência do exemplo de muitos outros países, e da criação, nesse ano, da Union Postale Universelle, a organização que veio regular práticas e formatos a nível mundial.
A evolução desencadeada culminou, no início da década de 90, no nascimento dos primeiros Bilhetes-Postais Ilustrados, que resultaram da associação ao texto de imagens, a princípio desenhadas a uma só cor ou cromolitografadas, mas depois, com o avanço das técnicas fotográficas, e já por volta de 1896-97, recorrendo à fotografia, quer directamente, quer através da sua reprodução impressa.
Ficaram famosos nos países europeus pioneiros – na Alemanha, Áustria e França, sobretudo – os primeiros BPI de tipo “Gruss aus” ou “Souvenir de” (“Saudações de”…), contendo 2 ou 3 pequenas vistas de uma cidade, paisagens ou monumentos, e um espaço pequeno para as palavras de saudação, vindas das viagens, de férias ou outras situações (1).
Só em Março de 1894 surgiram os primeiros BPI oficiais portugueses, e só em Junho de 1895 os primeiros de edição particular, mas a sua aceitação e multiplicação foi depois muito rápida, na sequência da criação de casas especializadas na sua edição e comercialização, muitas das quais de âmbito local e, por isso, centradas na divulgação de motivos de interesse a ele ligados: o seu quotidiano, a cultura e as festividades, o trabalho, o património, etc..
Os BPI que divulgamos hoje são já de uma reedição mais tardia da 1ª edição da 1ª colecção de BPI figueirenses - editados pela Papelaria e Tipografia Costa & C.ª, do Largo do Carvão, em 1896 ou 1897 (2), composta por 6 exemplares de BPI fotográficos, impressos em Leipzig como se pode ler no anverso -, mas são um bom exemplo, para a Figueira desses tempos pioneiros, ainda anteriores a 1900. Como se vê obedecem graficamente ao que era a disposição comum desses primeiros BPI: o verso exclusivamente dedicado ao endereço postal e selo; o anverso para as imagens e para o texto, que ficando sem grande espaço teria de ser obrigatoriamente curto e simples (3). Neste caso a solução curiosa adoptada foi a de reduzir ao máximo o espaço (e o impacto!) da imagem, tornada quase secundária face ao texto.
Uma nota final para as imagens fotográficas: esta acima foi aqui divulgada há pouco tempo, e identificada como sendo da autoria do fotógrafo lisboeta José Gonçalves, mas com estúdio permanente na Figueira de então (a Fotografia Europa), e serão dele, muito provavelmente, as quatro restantes (4).
FM
Notas:
1) Num tempo ainda anterior à expansão do telefone, percebe-se que era a forma mais expedita de enviar uma mensagem rápida e tocante...
2) O “Catálogo de Cartofilia Figueirense”, de 1993, indica como A.P.E. (Ano Provável de Edição) o ano de 1896, segundo se diz , “com base no estudo dos exemplares circulados”, mas não encontrámos na imprensa figueirense, até agora, qualquer referência que confirme a sua edição nesse ano. Pelo contrário, as notícias que abaixo juntamos parecem encaminhar a data da sua edição inicial para o início do Verão do ano de 1897.
3) Ou então, como se foi vendo depois, quando recorria a soluções engenhosas (linhas cruzadas e sobrepostas, por exemplo), bem complicadas de ler e interpretar!…
4) É assunto que teremos de confirmar (ou não) futuramente, se a tal nos levarem as fontes e os estudos...










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