A Photographia Ubaldi – Uma novidade

 
Alberto - Gravura da Doca da Figueira da Foz - cliché de C. Ubaldi - "O Occidente" - 1de Janeiro de 1883

    Num post anterior – C. Ubaldi e “O Occidente”, publicado em 5 de Fevereiro último  – revelámos as 3 gravuras que foram publicadas em 1883 pela revista “O Occidente”(1), com base em clichés da Photographia Ubaldi. Estas gravuras documentam aspectos muito relevantes para a história da fotografia figueirense, mas até há poucas semanas, só era conhecida a base fotográfica de uma delas, a da Rua Formosa, que então se publicou.

    Para lá da mais repetida actividade de estúdio de C. Ubaldi, estas três imagens, juntamente com uma outra, da Baía de Buarcos (em muito mau estado de conservação) que ele também editou em moldura, constituíam, até há bem pouco tempo, a única produção documental dele sobre a cidade que se encontrava identificada.

  Ultimamente, porém, defrontámo-nos com uma importante novidade! - a descoberta no Arquivo Fotográfico Municipal (AFM) de um dos 2 clichés fotográficos que não eram conhecidos, no lote das 3 gravuras publicadas na Occidente em 1883!!


Photographia Ubaldi - Doca da Figueira - 1882? (Colecção do AFM da Figueira da Foz)

   Como se constata, trata-se de uma imagem de estudado e feliz enquadramento (2) que, à esquerda, relevo à testa terminal (o “musoir”, como se dizia na época) do Cais Novo, de onde é feita a observação da Doca, ainda em construção na sua parte ocidental. E é da maior relevância o que nos é dado observar: ao fundo, à esquerda, os armazéns e estaleiros das obras estatais do molhe da Doca, que avança para sul, do lado do mar; rumando para a direita deparamo-nos com os edifícios que escondiam a frontaria da Casa do Paço: mais a poente o do antigo Hotel Reis (aberto em 1874) e, a seguir, o de habitação e lojas; ao lado deste último, a norte, com dois toldos, o edifício onde, desde 1864, funcionava a papelaria e casa bancária Costa & Cª; à direita, desta deparamo-nos com os três edifícios emblemáticos, ainda hoje existentes, dos quais relevamos aquele que, já junto ao Largo Luís de Camões (nele chegou a funcionar o Hotel Universal e a Casa Monsanto) e após uma total reconstrução interior, reabriu há semanas como Hotel; e a sul deste, podemos ver uma das duas barracas edificadas em 1871 - a mais ocidental - do que era o antigo Mercado da Ribeira.

    Esta é uma das poucas fotografias antigas da Doca Velha em que ainda se não veem, ao fundo, à esquerda da Casa do Paço, as fachadas corridas do Mercado (de 1892) e do Jardim (de 1891), embora se perceba a presença da linha de casas da Rua Engenheiro Silva, a poente destas, composta pela casa de José Pereira de Mesquita (de 1878), hoje a Capitania, e, mais a ocidente, a casa alta de Gabriel Osório de Barros, concluída em Junho de 1880.

    E não podia ser de outro modo! Esta fotografia deve datar de 1881 ou da 1ª metade de 1882 - está ausente o gradeamento da Doca, colocado em pleno Verão de 1882, a tempo da visita Real desse ano, o ano de elevação da Figueira a cidade.

FM


Notas:

1) Ocidente - Revista Ilustrada de Portugal e do Estrangeiro, Nº145, 1 de Janeiro de 1883 (http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1883/N145/N145_master/N145.pdf)

2) Deve dizer-se que esta cópia não corresponde na totalidade ao original que serviu de base à gravura: infelizmente as margens esquerda e direita da mesma foram cortadas de maneira significativa, como a simples comparação com a gravura logo denota.


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