C. Ubaldi e "O Occidente"


Figueira da Foz, gravura segundo fotografia de C. Ubaldi ("O Occidente" 1883)

    O primeiro número da revista “O Occidente”, veio a público a 1 de Janeiro de 1878. “O Occidente, revista illustrada de Portugal e do estrangeiro” publicação de enorme sucesso e longa vida (1878–1915), deu início à reportagem ilustrada e foi decisiva na expansão da fotografia industrial e descritiva do país (1).

   O seu atelier de gravura, com um conjunto notável de gravadores sob a orientação de Caetano Alberto da Silva, reproduzia fotografias dos mais importantes fotógrafos da época. Colaboraram com a revista, entre muitos outros, os fotógrafos Francisco Rocchini, Carlos Relvas, Emílio Biel, João Francisco Camacho, José Augusto da Cunha Moraes.

     Publicada ao longo de mais de três décadas, a revista acompanhou a evolução dos processos da reprodução de imagens, deste a gravura em madeira até à fotomecânica. A introdução da fototipia em Portugal pelo fotógrafo Carlos Relvas (2), veio permitir a reprodução fotográfica em grandes tiragens, que “O Occidente” veio também a adotar nos seus últimos anos de existência, mas aí já com a concorrência da “Ilustração Portuguesa” (1903-1924).

Teatro Príncipe D. Carlos, Figueira da Foz, gravura segundo fotografia de C. Ubaldi ("O Occidente" 1883)

    C. Ubaldi foi um dos fotógrafos que colaborou com “O Occidente”, três  fotografias suas serviram de base a igual número de gravuras sobre a Figueira da Foz, publicadas no ano de 1883. A primeira gravura foi publicada no “O Occidente” a 1 de Janeiro 1883 e representa uma vista geral da cidade partindo das docas (3)A segunda, publicada em 21 de Fevereiro, representa uma vista da Rua Formosa. A terceira gravura, publicada a 1 de Junho, mostra-nos o novo Teatro do Príncipe D. Carlos.

    Cada gravura foi acompanhada com um pequeno texto descritivo. Sobre a primeira gravura há uma breve descrição da cidade, relatando o seu recente desenvolvimento que a elevou de vila a cidade. Acompanha a segunda, uma descrição da Rua Formosa, salientando as novas construções que se têm feito não só ali como por toda a cidade e que têm contribuído para o embelezamento e importância da Figueira. Com a terceira gravura, salienta-se dos recentes melhoramentos da cidade, o novo Teatro do Príncipe D. Carlos e é feita uma pormenorizada descrição do edifício e da sua construção (1874).

    Juntamente com as gravuras que publicamos, podemos observar e comparar a fotografia original do Ubaldi que deu origem à gravura da rua Formosa, hoje rua Fernandes Coelho. As três fotografias utilizadas na concepção das gravuras publicadas, terão sido seleccionadas de uma colecção de vistas da Figueira e Buarcos que Ubaldi terá produzido e vendido no início da década de 80, montadas em cartão personalizado com o grafismo da Photographia Ubaldi. Apenas um pequeno número de fotografias dessa colecção terá chegado aos nossos dias, das três que serviram de base às gravuras apenas conhecemos a fotografia publicada.

RF

Rua Formosa, Figueira da Foz, gravura segundo fotografia de C. Ubaldi ("O Occidente" 1883)

C. Ubaldi, Rua Formosa, Figueira da Foz, anterior a 1883  (colecção AFMFF)
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NOTAS:

(1) António Sena, História da Imagem Fotográfica em Portugal – 1839-1997, Ed. Porto Editora, Porto 1998, pág. 84

(2) Fototipia (fr: phototype; ingl: collotype). Herdeira da fotolitografia, a palavra foi criada em 1867, por Tissier du Motay e por Maréchal para um processo que utiliza uma placa metálica. A sua melhoria, devida a Josef Albert (Albertype ou Lichtdruck, 1868), consistiu na substituição do suporte metálico por uma espessa placa de vidro. O uso do processo para edições de grande tiragem generalizou-se. Sougez, Marie-Loup; Gallardo, Helena Pérez, Dicionário de Historia de la Fotografia, Cátedra, Madrid 2003

Ver ainda :   https://cpf.pt/documento-mes-fundo-bibliografico-11/

(3) Capa d’ "O Occidente" nº 145 de 1 de Janeiro 1883, que inclui uma gravura sobre fotografia de C. Ubaldi:




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