No post anterior referimo-nos ao Hipódromo do Pinhal, presente numa das imagens apresentadas. Não entrámos em desenvolvimentos, no entanto, sobre esta estrutura desportiva de que a cidade foi beneficiária durante várias décadas. Logo no ano da sua construção (1) para a realização do 1º Concurso Hípico Internacional, em 1917, se percebeu que o mesmo tinha dimensão suficiente para também ser aproveitado para a realização de “gincanas” automóveis. A notícia seguinte, publicada em 10 de Agosto de 1917 (2), não deixa qualquer dúvida quanto a isso e quanto às ambições dos organizadores.
E a verdade é que este primeiro impulso – concretizado em pleno período de intervenção das tropas portuguesas na 1ª Grande Guerra – criou dinâmicas suficientes para se manter vivo, no início dos meses de Setembro dos anos das décadas seguintes, provavelmente com algumas interrupções temporárias e dificuldades que não procurámos identificar (3) . O que sabemos é que a sua realização se terá mantido ali de forma regular até ao ano de 1954, data em que se ergueu o Hipódromo no campo da Mata da Misericórdia (4) -, e o já velho “Campo de Jogos do Pinhal” encerrou.
Um dos espectadores assíduos desses Concursos foi José dos Santos Alves (JSA), da Casa Havanesa, que sobre vários deles produziu bons lotes de fotografias, hoje presentes no AFMFF. Nesse espólio teve a génese o BPI que trazemos que, como se vê, publicita directamente o Hipódromo, dando-nos a ver a dimensão do mesmo no terreno, e o local e modo como era levantada a bancada principal para os espectadores – no sentido sul-norte, com as costas viradas para a casa dos proprietários do terreno, os herdeiros de Albano Guimarães, primeiro, e depois a família de Pedro Collet-Meigret. Fez parte de uma vasta Colecção, publicada em 1922.
Cerca de 1930 editou, numa nova colecção, um outro, de novo com a temática do Hipódromo, que também divulgamos.
São muitas as imagens que JSA guardou das provas, em vários dos anos em que assistiu e fotografou. Do Concurso inicial e dos anos subsequentes não se encontra espólio identificado antes do ano de 1928. Foram publicadas, no entanto, algumas imagens suas no Boletim da Comissão de Iniciativa relativas às provas do ano anterior, e a do BPI é anterior a 1922, claro. Juntamos, por isso, uma imagem datada pelo autor do público de 1928, e 3 boas fotografias de cavaleiros em prova, não identificadas nem datadas, mas que nos parecem ser elucidativas das condições de organização e das dificuldades hípicas de então.
FM
Notas:
1) Trabalho dirigido por Francisco Xavier de Almeida e pelo Tenente-Coronel Manuel da Costa Latino, dois dos fundadores da Sociedade Hípica Portuguesa, responsável desde 1911 pela organização do Concurso Hípico Internacional de Lisboa. Sabemos que este último se manteve como responsável maior do Concurso durante cerca de 20 anos.
2) No jornal local A Voz da Justiça.
3)Sobre algumas dessas dificuldades, deixamos esta notícia elucidativa, publicada no jornal O Figueirense de 15/10/1938, mas relativa à sessão Camarária de 28/9 desse ano.
4) Então possível devido à transferência do Campo de Futebol que aí fora criado em Novembro de 1922 para o novo Estádio de Futebol da cidade, aberto em Agosto de 1955, no sítio onde hoje ainda está.









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