No AFMFF, numa pasta denominada “Álbuns da Câmara Municipal: 1929-45”, retiveram-nos a atenção estas duas fotografias, pela sua riqueza descritiva e cumplicidade gémea. São, como se percebe, imagens tiradas em sequência numa mesma ocasião, e que, por isso, de forma conjugada, nos deixam perante uma panorâmica da cidade - olhada a partir duma casa da rua do Pinhal - bastante invulgar para a época (1).
Nesta primeira imagem há que dar imediata relevância à presença, ao centro da imagem, do Hipódromo do Pinhal, onde a partir de 1917 se realizaram sucessivos Concursos Hípicos estivais, que logo ganharam relevo nacional e se consolidaram ao longo das décadas seguintes (2). Foi o mesmo construído em terrenos pertencentes a Pedro Collet-Meigret, cúmplice dos entusiasmos dos organizadores, a quem também cedia a cavalariça da sua casa, que existia muito perto e a sul das duas construções baixas da mesma, que vemos situadas, na imagem abaixo e à direita do observador, a sul do prédio alto, que era então pertença da família Ameixoeira.
Ainda nesta primeira imagem merecem também referência particular as instalações que são hoje dos Bombeiros Voluntários, em construção no ano de 1923 para albergarem uma fábrica de refinação de óleos e fabrico de sabões, que nunca chegou a funcionar (3). Por detrás desses edifícios e na direcção do sul, há que destacar igualmente a presença, em raro registo, do casario visível do que era então o denominado “Bairro da Lapa”, antes de ser absorvido e eliminado pela ampliação do Quartel de Metralhadoras 2, iniciada em 1947, e delimitada depois pelo alto muro que ainda hoje circunda toda essa vasta área. Mais acima nesta imagem, em frente à frontaria do corpo central desse Quartel (uma construção iniciada em 1932), é visível a fachada do edifício que foi da Guarda Fiscal (inaugurado em 1933) e mais para sul as estruturas cilíndricas dos depósitos da Shell (1937-38).
Presente de forma discreta nas duas fotos, como ponto de ligação essencial para ambas, observa-se o “Cruzeiro”, monumento valioso e cheio de significado (4), à direita do qual se pode observar, nesta segunda imagem, bem ao fundo e à direita, uma rara visão de parte da ponte de madeira provisória do sul, ainda sem sinais. ao que parece, da presença das obras de construção da Ponte Nova dos Arcos, iniciadas no Verão de 1940.
Estas imagens não se encontram identificadas, mas há boas probabilidades de as mesmas serem do fotógrafo figueirense Manuel dos Santos, que durante a década das mesmas realizou para a edilidade, por encomenda, vários trabalhos (5). Também não se encontram datadas, mas já deixámos dispostos os elementos determinantes para o podermos tentar fazer: terão de ser posteriores a 1937, é um facto; terão de ser anteriores ao Verão de 1940, é a outra baliza. Com boa probabilidade parece então que poderemos estar perante duas das imagens que a edilidade encomendou a Manuel dos Santos em Novembro de 1939...
FM
Notas:
1) Que muito agradecemos ao sr. Paulo Matos, do AFMFF, que teve a ideia da colagem e tão magnificamente a concretizou.
2) Para além de gincanas várias e até disputas automobilísticas, o que levou a que mais tarde fosse considerado como sendo o “Parque de Jogos do Pinhal”.
3) Devido à morte por acidente do seu principal sócio e impulsionador, Mariano Goulart, em Junho de 1926.
4) Classificado como “Imóvel de Interesse Público” (1961). Foi erguido em 1812, em memória da mortandade provocada no concelho pela 3ª Invasão Francesa e dos milhares de enterramentos que então ali foram efectuados em 1810.
5) Veja-se esta notícia, que foi publicada no jornal O Figueirense de 18/11/1939:




Muito bem!
ResponderEliminarAgradecemos os seus comentários e a sua companhia. O facto de aparecer como "anónimo" levou-nos a não agradecer logo, mas julgamos perceber, pelo tipo dos comentários, que estaremos perante uma mesma pessoa. E é por isso que lhe pedimos que reveja o post "A arte de Francisco Loureiro", uma vez que lhe foi adicionada, posteriormente, uma errata que gostaríamos que conhecesse.
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