Referimo-nos em anteriores publicações a acontecimentos que terão conduzido à iniciação de Cesare Ubaldi na fotografia, pelas mãos do fotógrafo italiano Luiz Amery, nas suas itinerâncias a Viana do Castelo nos anos de 1864 e 65, onde o primeiro vivia, casado com Antónia Margarida. Numa primeira publicação Cesare Ubaldi e Luiz Amery, aluno e professor? 1, seguida de uma segunda, encontramos uma sequência de notícias publicadas no jornal O Vianense (1864/65), que nos sugerem a convivência entre os dois italianos, despertando em Ubaldi o interesse pelo processo fotográfico e como essa aprendizagem o terá feito abandonar a sua actividade de alfaiate, deixando a cidade, partindo em itinerância fotográfica pelo país.
Vamos encontrá-lo em diferentes localidades durante os últimos anos da década de 60 e ao longo da década de 70. Sabemo-lo já estabelecido na Figueira da Foz no ano de 1876 e já nos referimos à sua actividade fotográfica ao longo das décadas seguintes, até que em 1897 decide retirar-se da cidade.
Foi neste largo período figueirense que C. Ubaldi viu morrer prematuramente a sua única filha Virgínia (1882) e alguns anos depois também a sua mulher Antónia Margarida (1892). Ubaldi viúvo, está só, longe dos seus familiares diretos de Itália ou de Viana do Castelo.
Em 1898 o jornal Semana Alcobacense de 28 de Agosto anunciava que o Sr. Cesar Ubaldi se encontra estabelecido na vila com o seu atelier fotográfico e pode ser procurado na rua da Rainha nº 32 e 34 (1). Provavelmente ainda em itinerância, pois volta a publicitar a sua actividade, no mesmo jornal a 22 de Janeiro de 1899, referindo que se encontra novamente nesta vila, oferecendo os seus serviços fotográficos (2). Voltamos a encontrar anúncios ao seu atelier com alguma frequência, ao longo de 1899 e durante os anos seguintes de 1901, 1903 e 1904 levando assim a crer que fixou residência em Alcobaça (3). Em 1901 refere que mudou a sua residência, também para a rua da Rainha, mas agora do outro lado da rua, no nº63 e em 1903 confirma a sua residência permanente em Alcobaça.
É Fernando Fleming de Oliveira que se refere à actividade de C. Ubaldi em Alcobaça e à sua relação com refugiados Bóeres acolhidos na vila entre 1901 e 1902 e como alguns destes, os que eram amantes da fotografia, lhe compravam algum material e encomendavam serviços que não podiam fazer (4).
C. Ubaldi continuou activo no seu atelier até à sua morte em 1909. Segundo o assento de óbito, C. Ubaldi com 79 anos, foi encontrado morto em sua casa, em Alcobaça na manhã de 21 de Maio de 1909, tendo ficado sepultado no cemitério municipal de Alcobaça (5).
Os CDVs aqui publicados ilustram as cinco décadas da Photographia Ubaldi, desde os anos 60 do séc. XIX até à primeira década do séc. XX.
RF
Notas:
(1) - Semana Alcobacense de 28 de Agosto de 1898
(2) - Semana Alcobacense de 22 de Janeiro de 1899
(3) -
- Semana Alcobacense de 31 de Dezembro de 1899
- Semana Alcobacense de 16 de Junho de 1901
- Semana Alcobacense de 30 de Agosto de 1903
- Semana Alcobacense de 27 de Março de 1904
(4) – Fleming de Oliveira – No Tempo dos Bóeres em Portugal. Caldas da Rainha, Alcobaça, Tomar, Peniche, Abrantes e S. Julião da Barra (2019).
“A fotografia foi durante algum tempo um passatempo que os ocupou e levou a procurar o serviço do fotógrafo César Ubaldi, especialmente após de ter mudado a loja da Rua da Rainha, para a sua residência. Os amantes da fotografia compravam-lhe algum material e encomendavam serviços que não podiam fazer.
Registe-se que César Ubaldi é a mais antiga referência da fotografia em Alcobaça, uma vez que já em 1898, se anunciava na então Rua da Rainha que Ubaldi fazia os seus retratos no quintal do sr. António José, na Avenida João de Deus.”
(5) - ADLRA, l.º de óbitos do Santíssimo Sacramento de Alcobaça, 1909, fl. 6v, reg. n.º 22













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