Defrontámo-nos há algum tempo atrás, na Sala Figueirense da Biblioteca Municipal, com uma belíssima surpresa!: a presença da publicação Memórias de um Fotógrafo Figueirense – Migrado , escrita e editada em 2021 pelo fotógrafo tavaredense Carlos Ribeiro (1). Tendo nascido em 1935, por cá estudou até aos 15 anos, e por cá fez a sua aprendizagem fotográfica, na Foto-Liz, estúdio que existia desde o ano do seu nascimento na Praça Velha, e que foi no período de 1946 a 1955 propriedade do seu pai, seu homónimo.
Pudemos conversar com Carlos Ribeiro e soubemos que o seu pai (2), que veio de Coimbra viver para Tavarede com os pais, foi no início dos anos 30 aprendiz da Fotografia Peninsular, o estúdio de António Palaio Monteiro que existia na esquina frente ao Casino Peninsular, na rua Bernardo Lopes. Em 1945 foi abrir um estúdio – a Foto-Ribeiro - em Santa Comba Dão, e no ano seguinte, convencido pelo director e dono do jornal O Figueirense, J. Gomes d’Almeida, que era de lá, adquire na Figueira a Foto-Liz (3). Ao que parece, no início dos anos 50 – cremos que associado ao processo de venda da Foto-Liz (4) -, avançou com entusiasmo para a expansão da sua Foto-Ribeiro noutras localidades: no Paião, em frente do Coreto (5); em Buarcos, no fundo sul da rua dos Pescadores (6); e já fora do nosso concelho, na Guia. Não conhecemos em pormenor o percurso de cada uma destas sucursais, mas sabemos que as terá mantido, parcialmente ou na totalidade, pelo menos até ao final dos anos 60.
Foi nesses anos do processo de venda da Foto-Liz, que Carlos Ribeiro (filho) decidiu deixar Tavarede e a Figueira, para ir tomar a seu cargo a Foto-Ribeiro de Santa Comba, cedida pelo pai. Deu então – nos anos de 1953 e 1954 - um novo rumo ao estúdio, mudando-o para um espaço maior e com mais visibilidade (7). E foi nele que ao longo de várias décadas soube criar uma clientela estável e um prestígio regional, que foi crescendo – também fisicamente, com a expansão do estúdio para Tábua e Arganil - até ao momento da sua aposentação, após a morte da esposa, em 2016. Não foram muitas as vindas de Carlos Ribeiro à Figueira durante todos esses anos (8), o que certamente explica a ausência de clichés seus, figueirenses, no Arquivo Fotográfico Municipal. O mesmo se verificará no seu espólio pessoal, que entretanto ofereceu à Câmara Municipal de Santa Comba Dão, para a criação de um Arquivo. Na publicação que agora publicitamos, existem clichés seus, da Figueira, mas são da época da edição.
Da Foto-Liz do tempo de Carlos Ribeiro (pai) não conhecíamos até há poucas semanas nenhum trabalho assinado, mas essa situação foi ultrapassada com a descoberta recente de 2 Bilhetes Postais Ilustrados editados por esse Estúdio - é quase certo que em 1946 -, embora só um deles possua o carimbo identificador, que agora divulgamos (9). Divulgamos também um BPI duma colecção da Foto-Liz dessa altura que – e era coisa bem rara na época! - se encontra preciosamente datado – 1946!
FM
Notas:
1) O trabalho é precioso nalguns aspectos relacionados com a vida dos estúdios figueirenses do final dos anos 40 e início dos anos 50, mas também quanto à vida figueirense em geral. São ainda seus dois outros trabalhos, também existentes na nossa Biblioteca: Tavarede – A Minha Terra e Santa Comba Dão – Seus Encantos – Seus Usos – Seus costumes.
2) Agradecemos a Carlos Ribeiro e à sua filha, a Dra. Isabel Ribeiro, toda a atenção e simpatia que nos prestaram em duas conversas muito úteis e agradáveis. Pudemos saber que o pai de Carlos Ribeiro faleceu em 1975, com 64 anos.
3) Num primeiro momento associado com o anterior proprietário, José Póvoas, e pouco depois já sozinho.
4) Não conhecemos os trâmites desse processo, mas sabemos que foi depois, adquirida, em definitivo e já em 1955, por um dos seus antigos empregados, o fotógrafo António Brandão, que, depois, sob a designação “Foto Liz–A. Brandão” a manteve aberta até ao fim da sua vida, em 2015.
5) Informação fornecida por uma sua neta, a Dra. Paula Marques, a quem agradecemos, e que Carlos Ribeiro (filho) depois situou: do lado norte do mesmo, antes de uma loja de adubos.
6) Onde a neta, a Dra. Isabel Ribeiro, se recorda de ter estado algumas vezes nos finais dos anos 60.
7) Em 1955 regressou temporariamente à Figueira, para fazer a recruta no RAP3 (mantendo o estúdio aberto), e casou em Santa Comba, tendo como padrinho – muito curiosamente - uma figura bem conhecida da fotografia figueirense: o fotógrafo Manuel dos Santos, com quem tinha privado, ainda muito jovem, no estúdio da Praça Velha.
8) Regressou a Tavarede, logo após, onde viveu algum tempo. Actualmente está de novo em Santa Comba Dão.
9) Já no período de redacção deste texto foi descoberto no AFMFF, numa fotografia de 1947, um carimbo igual ao que divulgamos (informação que muito agradecemos ao sr. Paulo Matos, desse Arquivo)





Boa tarde Dr. Fernando. Agradeço a explanação e o bom trabalho obtido sobre a época que o meu avô e pai eram Fotógrafos.
ResponderEliminarMuito obrigado Dra. Isabel. Esperamos que possam continuar a acompanhar-nos.
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