Photographia Mondego de Francisco Gonçalves da Silva

 Photographia Mondego, Figueira da Foz, CDV c. 1884 (colecção particular)

    A 4 de Setembro de 1884 chega à Figueira da Foz, Carlos Relvas conhecido fotógrafo amador da Golegã (1). Na gare da estação, é esperado “por um crescido numero de cavalheiros e senhoras e pela filarmónica 10 de Agosto”.  Também amador da tauromaquia, o benemérito Carlos Relvas vem participar em duas touradas, realizadas a 7 e 8 de Setembro (e uma regata no dia 9) para benefício da Santa Casa da Misericórdia. Na renovada praça de touros da Figueira da Foz, montado no seu magnífico Salero, pica três touros em cada uma das corridas e sai em triunfo. Em ambos os dias é entusiasticamente aplaudido e acompanhado por amigos e cerca de duas mil pessoas, até à casa do dr. José Maria de Lemos onde se encontrava hospedado. A filarmónica 10 de Agosto acompanhou o percurso. (2)

    O referido evento, organizado na cidade em homenagem a Carlos Relvas, é largamente documentado na imprensa local (3). No fim da demorada descrição da tourada de 7 de Setembro, feita pelo Correspondencia da Figueira, a 11 de setembro de 1884, é dada notícia de que “durante um intervalo, o sr. Silva, proprietário da Photographia Mondego, tirou a vista da praça”.

 

    Nos anos 80 do séc. XIX, foram poucos os estúdios fotográficos que se instalaram permanentemente na Figueira da Foz. Conhecemos a curta atividade da Photographia Barboza (1878) que não passou dos anos 70, enquanto ao longo dos anos 80 permaneceram a Photographia Ubaldi do italiano Cesare Ubaldi e a Photographia Avellar do açoreano Carlos de Avellar. A estes dois estúdios vem juntar-se em 1883 a Photographia Mondego do “sr. Silva”. (4) 

    Francisco Gonçalves da Silva solicitou à Câmara Municipal, em 17 de Julho de 1883, autorização para a colocação de uma tabuleta identificadora do seu estabelecimento, a Photographia Mondego localizada na Praça Nova. Um mês depois, a 16 de Agosto de 1883, refere o Correspondencia da Figueira: “Vem exercer o lugar de operador retocador na Photographia Mondego, o hábil e distincto artista mr. Arthur Morin". Nada mais sabemos sobre o referido mr. Arthur Morin, provavelmente contratado a uma das casas fotográficas de Coimbra, Lisboa ou Porto.  Estamos perante o início do estúdio fotográfico de Francisco G. da Silva que não terá grande longevidade. O último indício que conhecemos da sua actividade data de 12 de Outubro de 1884 no Correspondencia da Figueira: Do Sr. Silva proprietário da Photographia Mondego, um artista já largamente conceituado tanto do nosso publico, como da colónia de visitantes, recebemos três exemplares das vistas tiradas no parque da Santa Casa da Misericordia. As três photographias representam as principais barracas armadas para a festa que há dias se realizou. Ao sr. Silva enviamos os nossos agradecimentos pelo seu delicado brinde.

    Pouco conhecemos da sua produção fotográfica, o CDV que publicamos é um raro vestígio que chegou aos nossos dias.

RF

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Notas:

(1) Retrato equestre de Carlos Relvas, 1870 (in Carlos Relvas 1838 - 1894, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Lisboa, 2019)



















(2) O Tribuno Popular, 13 de Setembro de 1884




























3) Correspondencia da Figueira de 7 de Setembro de 1884



















(4) Não estamos a considerar os vários estúdios fotográficos que sazonalmente, durante a época balnear passaram pela Figueira da Foz. Depois da Photographia Ubaldi e da Photographia Avellar, só na década de 90 registamos a actividade permanente da Photographia Europa de José Gonçalves e da Photographia Economica de Carlos Rodrigues da Silva.

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