Publicamos hoje duas imagens muito conhecidas de Carlos Relvas. Fazem parte de um grupo de fotografias que o fotógrafo registou numa das divagações fotográficas que realizou num dos seus períodos de veraneio por cá.
Nesta vez fez incidir a sua atenção nos vendedores e vendedeiras ambulantes que se espalhavam no passeio do Largo Luís de Camões, na antiga Praça do Comércio. Percebe-se que há nelas uma atitude mais de comemoração e de convívio, do que de registo documental. São fotografias feitas com algum improviso e algumas têm mesmo deficiências técnicas que não devem ter agradado ao fotógrafo. Talvez seja a razão principal para terem ficado em arquivos particulares figueirenses e terem chegado até nós.
Têm, no entanto, para a cidade, uma boa importância documental, quer em relação à “cidade fria” – os edifícios e disposição geral do lado ocidental do Largo e da Praça Velha -, quer em relação ao que podemos denominar a “cidade quente” – as pessoas e as suas actividades, neste ponto valorizando, para além do que ficou dito, a presença na imagem de unidades comerciais marcantes no universo figueirense da altura: a loja Carraco (de tecidos), e o Hotel Universal na sua residência inicial (unidades que curiosamente de lá saíram no mesmo ano, o de 1896...).
Falta apenas precisar a sua datação: como se vê, já não se encontram presentes na imagem os dois barracões de madeira que de 1870 até ao começo do Verão 1892, ocuparam – de parceria com um quiosque mais jovem – o Largo. Carlos Relvas não veio à Figueira em 1892. Estamos, portanto, e muito provavelmente, no último terço do mês de Agosto do ano de 1893 (1), o da última estadia de Carlos Relvas entre nós.
FM



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