Se há rua na Figueira que imaginamos “fadada” para ser, desde o seu princípio e obrigatoriamente, uma artéria de comércio, ela será sem dúvida aquela que desde muito cedo estabeleceu a ligação, a direito, embora com dois segmentos de ladeiras, entre as duas praias de rio (a da Ribeira e a da Reboleira) e depois Praças principais da Vila – hoje a “Praça Velha”, a poente, e a “Praça Nova”, a nascente - e que, devido a essa importância, foi recebendo uma plêiade de designações (1), só estabilizada, desde os começos do século XIX, na denominação de “rua das Flores” (por vezes “rua nova das Flores”), que se manteve até 1930, ano em ganhou o nome de “rua Dr. José Jardim”.
Como rua de passagem crescente - particularmente desde a finalização dos aterros das Praças, nos finais do século XVIII – foi sempre muito procurada para a instalação de comércios e serviços variados (mercearias, sapatarias, tecidos, mobiliário, casas bancárias, hotéis e pensões, etc.). No entanto, e curiosamente, não parece ter exercido quase nenhuma atracção para a instalação de Estúdios fotográficos. Que seja do nosso conhecimento, só sabemos da abertura de dois, separados por, pasme-se!... quase 100 anos!!…: em 1878, a Photographia Barboza; em 1975, o Estúdio Armando Silva.
Da "Photographia Barboza" sabemos muito pouco para além do nome do fotógrafo que a abriu - José Augusto Barbosa - e sabemo-lo porque fez um pedido ao Município para a colocação de uma tabuleta no Estúdio em 17/5/1878, para o nº 5 da rua das Flores (quase junto à Praça Nova). Conhece-se também a publicação de um anúncio da mesma no "Almanach da Praia da Figueira – para 1878-79". Mas terá estado lá por pouco tempo: em Agosto desse ano é feito um novo pedido de tabuleta, mas já para a rua de Santo António, em conjunto com uma modista!… Do que terá sido a produção do seu estúdio, e para além do que já foi divulgado aqui na abordagem que já fizemos ao seu Estúdio, tomámos conhecimento dum outro CDV (apenas a digitalização do seu anverso), na colecção do AFMFF (doação de Luiz Cartario/Miguel de Carvalho), que agora divulgamos.
Foi mais feliz - e prolongada por mais de 30 anos! -, a estadia na rua da Fotografia do fotógrafo Armando Silva. Com efeito, depois da abertura do estúdio, em Maio de 1975, no nº18 da rua, por lá se manteve, em presença constante e bem conhecida, até ao seu encerramento, no ano de 2007. Com raízes tavaredenses, começou aos 10 anos (em 1957) a sua aprendizagem na Foto Liz, de António Brandão. Depois do serviço militar trabalhou em estúdios de Tondela e Mortágua, antes de optar pela sua radicação definitiva na Figueira, onde continua a viver, aposentado (2).
FM
Notas:
1) Fausto Caniceiro da Costa, na sua obra “Toponímia da Figueira nos séculos XVII-XVIII-XIX-XX”, s/d, (http://figueira.net/caniceiro), inventariou na bibliografia e em vários documentos cerca de 15! designações diferentes (p.22-23).
2) A seu tempo efectuaremos uma abordagem mais prolongada da vida deste Estúdio e dos seus mentores (Armando Silva e seu irmão).




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