Figueira dos BPI – Tabacaria Lobo

 

Figueira da Foz - Theatro e Doca -  Tabacaria Lobo (col. particular)


   Trazemos hoje um dos PBI, duma colecção de 8, que a Tabacaria Lobo editou no ano de 1905 (1). O proprietário desta Tabacaria foi um dos editores pioneiros de BPI na Figueira da Foz, sendo que, nalguns deles, optou também pela designação de “Papelaria e Tabacaria Lobo”.

   Instalada no edifício grande do Cais da Alfândega, nº 35, percebeu muito cedo a firma que a edição de BPI contribuiria para a sua afirmação local, e para o consequente incremento das suas vendas.

   A fototipia a preto e branco que juntamos tem o nº 1 – “Theatro e Doca” - e abre a colecção. Os elementos internos da fotografia confirmam a datação da edição, e deles só destacamos o principal: a presença, a poente do edifício dos Paços do Concelho, do Coreto que lá foi instalado em Abril de 1904 (2). Mas, como se vê, os elementos dos Correios são ainda mais determinantes!...

   Trata-se mais uma vez da divulgação de uma imagem duma das zonas mais emblemáticas da cidade desse tempo, onde se encontravam alguns dos seus edifícios principais, e onde se verificava uma forte actividade comercial e marítima, cheia de cosmopolitismo em determinadas situações. Era também a zona determinante para o apoio à realização das Regatas que animaram muitos dos Verões figueirenses, nas décadas finais do século XIX e seguintes.

   Nada sabemos sobre o autor das fotografias editadas, salvo o facto de serem de "um amador distinto", o que parece afastar a possibilidade de serem do Estúdio de Joaquim Pereira Monteiro, aberto no Bairro Novo três anos antes (3). 

FM

Notas:

1) A "Voz da Justiça", de 21/5/1905, diz mesmo que foram mandados fazer na Alemanha 18 mil BPI "com vistas da Figueira tiradas por um amador distinto". Parece-nos um completo exagero a referência a uma tiragem tão elevada, mas...

2) E que resultou da divisão em dois do Coreto fabricado pela oficina do Francisco Mota Quadros para o Jardim Municipal (foi lá colocado no final de 1891). A outra parte, e também como Coreto, foi reconstruída nas Alhadas.

3) Pressupondo que possa ser figueirense, só um nome nos surge para a época em questão: o de Joaquim de Campos Ribeiro, de quem já falámos em textos anteriores! Será mesmo?


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