Amílcar Gramacho, não Dureuil & Canart...

 

Figueira da Foz - Câmara Municipal e Avenida Saraiva de Carvalho - Fotografia Gramacho - 1928
(col. AFMFF)

Figueira da Foz - Câmara Municipal e Avenida Saraiva de Carvalho (verso) - Fotografia Gramacho - 1928 
(col. AFMFF)


   Não, não se confirmou – sem angústia para quem a desenhou e felizmente para a verdade histórica - a hipótese que deixámos aqui, acerca da sociedade Dureuil & Canart, que teve a sede na Rua do Pinhal, mas que, como vamos explicar, nada teve a ver com a arte fotográfica...

  Depois do que escrevemos, fomos confrontados com evidências que não pudemos conhecer antes: 2 documentos escritos referentes a essa sociedade - um concurso para a construção da estrada de Amieira ao Moinho de Almoxarife (de 1934); uma intimação judicial por dívidas fiscais (de 1958) -, e um testemunho da maior relevância, feito pela Dra. Maria Luísa Colett Maigret, que sabia da existência dessa sociedade, ligada a negócios de fornecimento de máquinas e alcatrões para terraplanagens e pavimentações de estradas, com a firma de empreiteiros de um seu avô e tio (1) que nos anos 40-50 foi vencedora de vários concursos abertos pela Câmara Municipal da Figueira (2).

Figueira da Foz - Praça 8 de Maio - Fotografia Gramacho - 1926 (col. AFMFF)


Figueira da Foz - Praça 8 de Maio (verso) - Fotografia Gramacho - 1926 (col. AFMFF)


   Assim sendo chegamos ao momento dum outro contentamento: a atribuição a Amílcar Simões Gramacho (Fotografia Gramacho) das 2 fotografias iniciais que julgámos poder atribuir à dupla francesa, e das duas outras, do grupo de 4 existente no AFM, que divulgamos hoje (3). E contentamento porque até agora, e nos limites do nosso conhecimento e do AFM, nada existia identificado como sendo da autoria de quem era, até agora, apenas um misterioso e fugidio fotógrafo, que abriu estúdio na Figueira nos anos de 1926 a 1928, mas sobre o qual divulgaremos dentro em breve importantes novidades.

FM

Notas:

1) Respectivamente Pedro Collet Maigret e Pedro Guimarães Collet Maigret. A Dra. Luísa chegou mesmo a conhecer pessoalmente, ainda que muito jovem, a “Madame Dureuil” (como lhe chamavam) que, em vários dos Verões dos anos 40 foi visitante habitual da sua família, embora já, segundo pensa, vivendo num estado de viuvez.

2) Alguns exemplos: em 20/8/1947, as obras de construção da muralha da praia, desde a Torre do Relógio à escadaria norte; em 25/5/1948, a pavimentação da Avenida Saraiva de Carvalho, entre a Estação e a Ponte; em 30/5/1952, a pavimentação da Avenida Salazar.

3) Como se vê, e ao contrário das anteriores, no verso destas não consta o carimbo ”Gramacho”, que foi uma das razões que nos levou a secundarizá-lo na hipótese que formulámos inicialmente. No entanto, não parece levantar qualquer problema a atribuição da autoria destes dois clichés ao fotógrafo Amílcar Gramacho, não só por razões ligadas ao contexto histórico, mas também por razões de unidade fotográfica.


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