Os moinhos de Buarcos - 2 fotografias de Carlos Relvas


   Diz-nos o Dr. Rui Cascão na sua monografia Figueira da Foz e Buarcos (1861-1910)–Permanência e Mudança em duas comunidades do Litoral, que existiam arrolados na freguesia de Buarcos, no início do século XX, “35 moinhos de vento pertencentes a 31 proprietários” (1). Sabemos que todos desapareceram até ao final da década de 30, mas para felicidade nossa, vários deles – e de outros que os precederam - ficaram preservados para a memória nalgumas fotografias, hoje preciosas.

  Quatro desses moinhos existiram no Alto da Fonte e outros 4 em zonas próximas ao actual Largo do Mártir Santo, mas foram aqueles que colheram a atenção particular do fotógrafo amador Carlos Relvas.

Buarcos - Moinhos do Mártir Santo - Cliché de Carlos Relvas - c. 1890 (col. AFMFF)

   Podemos vê-los, em anos distintos, nas duas fotografias que publicitamos. Trata-se, como se vê, de um grupo composto por três moinhos de tipo rotativo, de madeira, do género mais comum do litoral português (2), e por um de alvenaria, que se vê estar na foto mais antiga ainda em actividade (embora ocultado por aquele que estava mais a oriente, salvo o seu velame), mas que se percebe estar, na imagem mais recente, ou em fase de recuperação ou de abandono.

Buarcos - Moinhos do Mártir Santo - Cliché de Carlos Relvas - c. 1893 (col. AFMFF)

   Uma nota final para a datação das imagens: ambas são posteriores a 1889 já que notamos a presença nelas das 2 “casas do Fernandinho” (3) (a casa onde existe hoje uma Gelataria - de 1875 -, e a do restaurante Marégrafo, actualmente em obras profundas, que é de 1889), mas são notórias as diferenças existentes para cá do Largo da Beira-Mar (vulgo “da Peixeira”),  na direcção da Fonte e Poço da Vila, na imagem mais recente (4).

   Sabemos que Carlos Relvas esteve na Figueira, em 2 estadias de mês e meio, no Verão dos anos de 1890 e 1891. Em 1893 esteve pelo menos cerca de 1 mês, e será provavelmente desse ano a imagem mais recente, de um muito cuidado enquadramento e valia técnica. A mais antiga, mais imediatista, deverá corresponder a um seu primeiro contacto com o local e, por isso, provavelmente de 1890.

FM

Notas:

1) Edição do CEMAR-CMFF-Livraria Minerva, 1998 (p. 222)

2) Carlos Alberto Dias Machado, Moinhos de Vento do Concelho da Figueira da Foz, CMFF, 2010 (p.34-39)

3) Fernando de Almeida Rocha (1822-1897)

4) Em resultado, é quase certo, das obras de construção da estrada do Mártir Santo à estrada Real nº 48, iniciadas em Abril de 1892, e da "grande reparação" da estrada de Geria a Buarcos, na parte entre a Figueira e esta povoação, iniciada em Junho do mesmo ano (Correspondência da Figueira: 8 de Abril e 8 de Junho de 1892).


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