Em duas publicações anteriores estivemos à beira da Estação do transporte “Americano” (de 1875-76), que vamos revelar hoje, socorrendo-nos de uma fotografia de José dos Santos Alves (Casa Havanesa) que a documenta parcialmente. Das poucas fotografias existentes esta é a que a revela mais extensamente, no seu acantonamento entre muros. É visível o que seria o espaço de espera dos passageiros, mas já nada nos é revelado – para além de alguns telhados – sobre as instalações oficinais e de guarda das carruagens, bem como das instalações iniciais de guarda e tratamento dos muares, substituídos a partir de 1900 pela tracção a vapor.
Nada também nos é revelado na foto – e em nenhuma outra das imagens conhecidas o é – sobre a solução de passagem das carruagens do pátio da Estação para as instalações das Obras Públicas, e depois para a margem do rio. Mas ela encontra-se documentada nesta outra fotografia, de autoria e cronologia desconhecida, existente no AFMFF – a do túnel sob a estrada da Figueira a Buarcos, cuja memória parece subsistir, ainda hoje, na zona das instalações do Ténis Clube.
A fotografia da Estação, ao contrário de outras do autor, não se encontra datada, mas julgamos poder atribuí-la ao ano de 1927. Quatro anos depois, em 6 de Outubro de 1931, era dissolvida a falida Companhia Industrial e Mineira de Portugal (do Cabo Mondego), dona das instalações e transportes. Em sequência, findava também a vida da carreira de "sistema americano" que durante 56-55 anos garantiu o escoamento dos produtos industriais e o acesso dos banhistas às praias. No final desse ano, a Estação de Santa Catarina e os Escritórios da Companhia Mineira adjacentes a norte, já se encontravam demolidos.
FM


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