Ubaldi em Vila Real?

 

António Narciso Alves Correia – A Fotografia em Vila Real na década de 1870, Elísio Amaral Neves, 
Arquivo Audiovisual do Museu do Som e da Imagem de Vila Real, 2011

    Foi por indicação do investigador Nuno Borges de Araújo (1) que tomámos conhecimento do Catálogo da Exposição “António Narciso Alves Correia – A Fotografia em Vila Real na década de 1870”, da autoria de Elísio Amaral Neves, com edição, em 2011, do Arquivo Audiovisual do Museu do Som e da Imagem de Vila Real. Na página 8 do mesmo podemos ler:

    Na década de 1860 existem nas casas de famílias vilarealenses muitas fotografias, infelizmente na sua grande maioria sem marca de fotógrafo. (…) De C. [Cesar] Ubaldi – Photographia Italiana, da Póvoa do Varzim, encontrámos em Vila Real dezenas de fotografias, o que nos permite não descartar a possibilidade – reforçada pela circunstância de não se vislumbrarem nestas fotografias os cenários e adereços dos grandes estudos fotográficos [Nota: Todas as fotografias encontradas em Vila Real deste fotógrafo têm em comum uma carpete e adereços modestíssimos, e a ausência de qualquer cenário de fundo.] - de este fotógrafo se ter instalado em Vila Real, cumprindo um itinerário que o terá levado eventualmente às estâncias do Alto Tâmega. Dele, seleccionámos um retrato do advogado Custódio José Fernandes, de cerca de 1870, colado, como outro, num livro de notas que pertenceu ao solicitador Manuel Acúrcio Teixeira.”

    E fica quase tudo dito: C. Ubaldi em Vila Real? É uma hipótese a considerar(2). E o CDV dele que o autor selecionou e que possui uma datação preciosa no interior da própria fotografia (1870), e que reproduzimos: tirado em Vila Real? Na Póvoa do Varzim? Noutro lugar? Repare-se no trabalho de elaboração do retrato em contraste com toda a ambiência de provisoriedade do Estúdio: todos aqueles livros evocando “O Direito”, certamente da biblioteca do retratado; o cadeirão de palhinha participando na simulação dum gabinete de trabalho; o lado composto e cerimonioso da vestimenta; e, por fim, a ironia da ponta do sapato sobre o papel com o nome e a cidade do advogado. Uma foto tirada num tempo de veraneio? Não parece...

FM

Notas:

1-  Um dos maiores especialistas da História da Fotografia em Portugal.

2- Tentámos, junto do autor do trabalho, saber mais sobre os outros CDV referidos, mas tal não foi possível, por os mesmos no decurso da preparação da Exposição terem regressado à casa dos seus possuidores, e não existir, neste momento, documentação guardada com a sua reprodução.



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