Joaquim de Campos Ribeiro, fotógrafo amador

Joaquim de Campos Ribeiro, Cabinet, retrato de Albano Cabral de Moura, 

Figueira da Foz, anos 90(?) do séc. XIX (Colecção AFMFF) 

    O mais conhecido dos fotógrafos amadores, Carlos Relvas da Golegã, manteve uma particular relação com a Figueira da Foz durante vários anos, a que nos iremos referir em próximas publicações. Interessa-nos agora abordar um outro fotógrafo amador, praticamente esquecido, de nome Joaquim de Campos Ribeiro (1). Proprietário e industrial, teve uma atividade social intensa, fundador da companhia construtora do Coliseu Figueirense, fez parte da comissão organizadora do Museu Municipal em 1893, foi presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários em 1884/85. Foi ainda representante da Sociedade Geográfica de Lisboa, da qual era sócio, no funeral de Francisco Maria Pereira Silva em 1891.


    Joaquim de Campos Ribeiro muito provavelmente terá conhecido Carlos Relvas, foram ambos fotógrafos amadores no tempo em que o último frequentou a Figueira,  na década de 80 e inicio da década de 90 do séc. XIX. Joaquim de Campos Ribeiro seria ainda adolescente quando da primeira visita de Carlos Relvas à Figueira, mas já fotógrafo adulto durante as últimas visitas do fotógrafo da Golegã.


À imagem de Carlos Relvas, Joaquim de Campos Ribeiro construiu o seu atelier fotográfico na sua propriedade da Praia da Fonte, que foi descrito no “Correspondência da Figueira” de 25 de Outubro de 1887:

“Photographo Amador

O Ex.mo Sr. Joaquim de Campos Ribeiro, um dos cavalheiros mais simpáticos desta cidade, e rico proprietário e capitalista, tem-se dado a estudos mui proveitosos da photographia, arte que sua Exa. ama e tem cultivado com esmero. Ultimamente mandou construir, junto à sua casa de residência na Praia da Fonte, um elegante atelier Photográphico, que colocado num ponto elevado da sua quinta, anexa aquela casa, e voltado a poente, recebe uma bela disposição de luz, permitindo o trabalho a qualquer hora do dia. O atelier do nosso amigo acha-se mobilado com todo o gosto, não lhe faltando os necessários adornos e bastidores, comprados em Paris, e representando salas e vistas do mar etc. Parece-nos um perfeito atelier de photographo. Adjunto se encontra laboratório em que o ilustre amador, conserva os preparos chimicos para completo exercício da arte photográphica e dá os preciosos banhos aos clichés.

Vimos algumas provas dos trabalhos de sua Exa., uns em figura e outros em paisagem, que muito apreciámos.

Foi-nos muito agradável a visita ao atelier e laboratório photográphico daquele nosso amigo, que sem duvida, é um dos cultores dedicados e ilustrados do nosso país”.


Passados nove anos, julgamos que anos de experimentação fotográfica, a “Gazeta da Figueira” de 12 de Fevereiro de 1896 descreve um conjunto de fotografias que teve oportunidade de observar:

“Photographo amador

Tivemos há dias ensejo de examinar uma esplêndida collecção de photographias, magnifico trabalho do nosso presado conterrâneo o Sr. Joaquim de Campos Ribeiro, distinto photographo amador, em que são reproduzidos alguns dos sítios mais pittorescos desta cidade e subúrbios, e bem assim diversos monumentos das cercanias da Figueira (Montemor, conventos de Ceiça e S. Marcos, entre outros), quadros azulejos etc.  Sem que em outros trabalhos de grande merecimento o Sr. Campos Ribeiro não tivesse já evidenciado. Cultor aprimorado da Arte Photographica, bastava a collecção de clichés a que nos vimos referindo para lhe dar um lugar primacial entre os amadores mais distinctos com que se pode orgulhar a Arte Photographica no nosso paiz.”


        Publicamos um Cabinet, retrato de Albano Cabral de Moura, provavelmente dos anos 90 do séc. XIX. Joaquim de Campos Ribeiro foi um amador da fotografia, ainda muito jovem, aos 22 anos estava a construir o seu atelier fotográfico com as características que acabámos de descrever, arriscamos dizer, que o seu entusiasmo foi contagiado com a conhecida atividade do amador da Golegã. 



RF

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NOTAS

(1)













Joaquim de Campos Ribeiro

Nasceu na Figueira da Foz a 25 de Abril de 1864. Faleceu em 1935. 

Filho de Matias Joaquim Ribeiro, natural da Pocariça, Maceira, concelho de Leiria, e de O. Ana Cândida de Sã Campos, de Tondela. 

Frequentou Preparatórios em 1880, mas não seguiu curso. 

Proprietário duma fábrica de conservas na Rua 10 de Agosto, que encerrou em 1907, após conturbado período de laboração.

Fotógrafo amador com atelier fotográfico na sua propriedade da Praia da Fonte.

Foi viver para o Porto depois de 1907.

Casou em 1884 com D. Guilhermina Laidley, natural da Figueira da Foz, filha de Carlos Laidley e de D. Maria José da Silva. 

Pai de:- D. Ana   Laidley Ribeiro (5 Junho 1886)

          - D. Maria Laidley Ribeiro (24/25 Dezembro 188(8,9?), casada com Álvaro Ferreira Lima. 





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