Carlos Severino de Avellar (c.1844) e Severino João de Avellar (1852), irmãos de Angra do Heroísmo, ilha Terceira e ambos fotógrafos profissionais. Pessoas viajadas o que lhes permitiu desenvolver os seus conhecimentos fotográficos, e adquirir os equipamentos necessários aos respectivos ateliers.
Severino João de Avellar, teve passaporte para uma viagem a Londres em 1967 com 15 anos de idade. Casou em 1873, na Horta, Faial e aí abriu a Photographia Avellar. Mais tarde, depois de um período em Lisboa, regressou aos Açores em 1876 para se estabelecer em Angra do Heroísmo com a Photographia Avellar na Rua do Espírito Santo 94 (1).
Carlos Severino de Avellar, depois de ter estado no Brasil em 1858 com apenas 14 anos, viaja em 1872 a Madrid e Paris. Em 1868, Carlos de Avellar reside em Angra, na rua do Faleiro nº9 onde, para além do ensino das línguas francesa e inglesa na sua residência, veio a abrir um estúdio que denominou de Galeria Photographica (2). Foi um dos fotógrafos portugueses, entre outros, Carlos Relvas da Golegã, João Francisco Camacho do Funchal; Francisco Rocchini de Lisboa, a enviar trabalhos para a Exposição Universal de Viena em 1873.
Já referimos o regresso de Severino João de uma temporada em Lisboa para se estabelecer em Angra do Heroísmo com a Photographia Avellar em 1876, por seu lado, Carlos Severino deixa Angra onde estava estabelecido há muito tempo e começa no mesmo ano a sua aventura fotográfica no continente.
A 28 de Agosto de 1875, após sete dias de viagem, entrou no porto de Lisboa o Lugre “Gil”, vindo da ilha de S. Miguel. Transporta dez tripulantes e cinco passageiros, um dos quais, o fotógrafo Carlos Severino de Avellar (3). Ainda nesse ano Carlos de Avellar viaja pela Europa, desta vez em direcção a França, Inglaterra e Alemanha (4), onde actualiza conhecimentos fotográficos e adquire novos equipamentos que lhe permitiram abrir em 1876 a Photographia Lisboa & Açores na rua Nova de S. Francisco de Paula nº13 à Pampulha e que depois mudou para a rua de S. Paulo, nº158 2º em Lisboa. É certamente desses primeiros anos de actividade em Lisboa, o CDV que abre a presente publicação.
A fotografia do Forte de Sta. Catarina, deverá ainda ser dos últimos anos da década de 70, registada numa visita de Carlos de Avellar à Figueira da Foz, provavelmente durante uma época balnear. Parece não haver dúvidas de que Carlos de Avellar se terá afeiçoado à Figueira da Foz, pois adquiriu em 1880 terreno no bairro de Sta. Catarina (5) para aí construir casa e no mesmo ano abriu a Photographia Avellar(?) na rua da Boa União, com actividade na cidade até c.1887.
Notas:
1 - A Independência de Angra do Heroísmo, 4 de Maio de 1876
2 - Carlos Enes, A Fotografia nos Açores, dos primórdios ao terceiro quartel do século XX, DRC, 2011
- O Angrense de 13 de Fevereiro de 1868
- O Angrense de 22 de Maio de 1868
3 - Diário do Governo Digital de 30 de Agosto de 1875
4 - AAVV, Provas Originais, 1858-1910, Arquivo Fotográfico de Lisboa, 1993
5 - O Comercio da Figueira nº97 de 4 de Maio de 1880:
“Nova Photographia – O proprietário da conhecida photographia de Lisboa intitulada “Lisboa e Açores” acaba de comprar nesta vila, no Bairro de Sta Catarina, um grande terreno, para nele montar o seu atelier photographico e cremos que edificar uma casa para sua residência, pois que está resolvido a fixar nesta villa o seu domicilio permanente”.


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